sábado, 24 de agosto de 2013

Jovens do Tocantins II Parte

Os jovens de Araguaína no Tocantins. Observar a história brasileira e estuda-la assim como conseguir compreender esta história é fundamental para construirmos um projeto de nação. O mesmo pode-se falar do nosso processo de migração a forma como se desenvolveu transformando a formação do nosso povo, cidade e estados e cultura. O sucesso para a solução dos problemas que envolvem nossa sociedade só será possível a partir do fortalecimento desta identidade. Um dos dilemas que a sociedade pode perceber no momento em procuramos descobrir os motivos da crise de valores da juventude e que não se trata apenas fruto do comportamento do novo tempo esta relacionado à fragilidade do relacionamento com as famílias e da ausência de políticas públicas voltada para nossos jovens. Tratar bem essa população significa cuidar do futuro da sociedade e da nação como consequência. A violência no Brasil há muito deixou de ser apenas um problema policial e se transformou em defesa da cidadania, portanto, saber ouvir os jovens sobre o que eles pensam ira contribuir e muito na elaboração de ações que se transformaram em políticas públicas para toda a sociedade. Desde 2008 acompanhei diversos grupos de jovens e da família de alguns deles, nesses encontros foi possível perceber a angustia de cada família quando se discutia o futuro de seus filhos, mas também foi possível perceber nos jovens e o brilho nos olhos de cada um falava mais do que as palavras extraídas de cada um, a esperança que existe de se transformarem em profissionais da saúde, da engenharia e do direito, isso mesmo, quando mais humilde o jovem entrevistado maior o brilho dos olhos e mais forte era a esperança de um futuro diferente do que muitos diziam existir para eles. Diferente da política de criação e fortalecimento de cursos técnicos os jovens querem ter a possibilidade de entrarem pra universidade e serem médicos, engenheiros, advogados, para poderem cuidar das pessoas, construírem o desenvolvimento do Tocantins e das cidades onde mora, cuidar das fazendas como profissionais competentes seja na administração ou como veterinários, querem poder planejar a cidade as moradias e a mobilidade da população. Alguns querem apenas entrar em um bom curso técnico sim, mas por opção e não porque dizem que eles só terão oportunidade se assim o fizer. Portanto querer transformar cursos técnicos em um projeto de educação não vai colar no meio da juventude. E o que pensa esse jovem fora a educação, também consegui ver o quanto subestimamos nossos jovens. E quero abrir um parêntese, não fiz nenhum julgamento seja de valores ou de comportamento desses jovens, apenas recebi suas opiniões e sugestões, acredito que devemos quanto pais que somos e membro da sociedade procurar entender seus pensamentos e buscar soluções para os desafios lançados por eles. Procurei abordar temas que afligem nossa sociedade no momento e as respostas foram francas, honestas e diretas conversamos sobra drogas, trabalho infantil, gravidez precoce, prostituição, educação como eles estão vendo suas escolas e até política. O momento mais tenso penso ter sido a conversa sobre os jovens homossexuais, o preconceito ou a visão deles deixa claro que estamos longe de romper certos tabus, como disse não quis realizar nenhum julgamento, e no livro irei trabalhar melhor esta questão, inclusive com as opiniões dos pais e outros segmentos da sociedade que entrevistei, aqui cabe relatar o pensamento dos jovens entrevistados e que espero que após dois anos das últimas entrevistas alguns pontos tenham sido absorvidos por eles. As entrevistas realizadas foram com jovens na faixa etária entre 15 a 20 anos. Os problemas que mais os preocupam foram os seguintes: - Violência; - Falta de emprego; - Drogas; - Educação; - Saúde; - Miséria/Fome; - Família; - Relação Homossexual. Segundo eles, as situações que mais favorecem a violência são: - Pobreza; - Influencia de amigos, de pessoas mais próximas como da família por exemplo e os meios de comunicação: - Alcoolismo/Divórcio; - As drogas; - O desemprego; - Os problemas econômicos do país; - A péssima educação; - A falta de ações dos governos para os jovens. Podemos perceber que nada diferente do que as manifestações ocorridas neste ano identificaram, no entanto, alguns pontos como já pontuei esta no conflito existente em algumas opiniões o que demonstra que tanto os jovens quanto a sociedade como um todo não tem conceitos formados principalmente nos temas mais polêmicos. Um dos temas mais debatidos na sociedade tem sido a violência principalmente as que envolvem os jovens sejam contra ou pratica por eles, neste sentido o Estatuto da Criança e do Adolescente sofre enorme criticas sendo responsabilizado pelo aumento da violência em que jovens são os autores. Todos os entrevistados declararam conhecer o estatuto, entretanto, o conhecimento é restrito ao “ouvir falar, escutei as criticas realizada pela imprensa”, portanto encontramos aqui a primeira incoerência, como ser contra quando se conhece o tema debatido, e neste aspecto o mesmo ocorre até com agentes públicos desde o que atuam de forma direta ou indiretamente na política de defesa da criança e ao adolescente. Os temas que envolvem o trabalho infantil e redução da maioridade penal uma grande parcela dos jovens são contrários e os favoráveis não conseguem explicar os motivos de forma clara, o trabalho infantil, por exemplo, apesar de ser contrária uma parte gostaria de trabalhar com o objetivo de buscar a independência e uma maior liberdade dos seus responsáveis, deixando assim o desconhecimento do que diz nossa Constituição. Também foi possível perceber a dificuldade da fiscalização ao Trabalho Infantil, pois tanto existe a questão cultural da região quanto o despreparo dos órgãos fiscalizadores com falta de estrutura para desenvolver o trabalho. A verdade é que o Trabalho Infantil é uma das maiores mazelas do Brasil com 3,4 milhões de brasileiros entre 10 a 17 anos trabalhando, outro fator importante encontramos no detalhamento da professora Hildete Pereira de Mello da UFF-RJ com base nos dados do Pnad sobre o trabalho de crianças de 10 a 13 anos encontrou que das 615 mil crianças que trabalham 71% são meninos e 29% meninas, todas no setor agrícola. Uma das dificuldades que também vejo esta na mentalidade dos pais que muitos consideram ser positivo o filho trabalhar, pois o afastaria da criminalidade outro ponto é a tradição dos filhos não importando a idade de ajudarem as famílias nas colheitas com o objetivo de melhorar a renda de suas famílias, isso lamentavelmente com o consentimento dos conselhos tutelares da região e em muitos casos do próprio promotor de defesa da criança e do adolescente devido ser algo que ocorre a dezenas de ano. Infelizmente não é levado em consideração por esses órgãos os prejuízos que essas crianças e adolescentes irão sofrer seja física ou intelectualmente ao se afastarem da escola. Mais outros fatos preocupantes identifiquei na cidade, o trabalho infantil esta presente na construção civil, no carregamento de mercadorias, em lava-jatos, na mendicância e na pior das atividades que é a prostituição infantil o que escreverei um capitulo a parte sobre essa história. As drogas são outro fator preocupante levantado por eles, todos tinham uma relação direta ou indiretamente com esse problema. Não importando a classe social do entrevistado todos tiveram ou amigos ou até componente da família envolvido com drogas. Nos últimos 30 morreram mais de 600 mil crianças e adolescentes no Brasil, 176 mil vitima de homicídios, a maioria dos atos de violência ocorre no contexto de tráfico de drogas e consumo de drogas. As drogas utilizadas pelos jovens que assumiram já ter havido contato foram à maconha, crack, perfume e cocaína. O álcool não foi considerado por eles como droga apesar dele ser a porta de entrada para a maioria deles ao consumo de drogas, estas também foi às apontadas por eles como as mais consumidas por amigos ou gente da família. Outro tipo de droga apontada foi o remédio tarja preta aqueles proibidos de serem vendidos sem receita médica. A maioria era contra a descriminalização das drogas e sentimentos confusos sobre a liberação dela pra consumo. Esta é a primeira parte de um texto sobre os jovens do Tocantins, aqui jovens de Araguaína a segunda cidade mais importante do Estado. As entrevistas foram realizadas próximas a Rodoviária, na Praça das Nações, Na Praça da Igreja do Sagrado Coração, e em diversos bairros ou setores como são chamados.

Um comentário:

  1. Existe vários caminhos para termos chegado na violência sistêmica. Criada pela apologia de políticas assistencialistas sem estruturar as territorialidades. Porem existe o pragmatismo de estagnação societária, todos galgamos superar esteriótipos e os agravos da discriminação construída e legitimada. Não mudaremos construções arcaicas sem investimentos em Ações Afirmativas e Ações Inclusivas, que é fazer o investimento que a falta de segurança promocional trabalhista, estrutura básica pública de saúde ambiental, formar a cadeia produtiva de todas as matérias primas... Podemos desta forma destacar o problema é que não temos pertencimento, legado, transparência, abrangência de nos mesmos... Mudar é fazer. Fazer é dar Exemplos. Dar exemplos é praticar. Praticar é em qualquer lugar. Mudar a si É EFICAZ.

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